segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Sim ou não?


(462)
Você que ler minhas poesias
você me acha muito agressiva?
Se nos meus versos, às vezes falo
com muita força,
com muita ênfase
de alguma coisa
que mais destaco,
no fundo mesmo
quero somente
abrir os olhos
de muita gente
pra que se lembrem
que não existe
só uma vida
e que esse corpo
que a terra um dia
irá comer
desaparecer e não deixa nada;
por que você
tem tanta vaidade?
O que merece muita atenção
é a nossa alma e o coração
pois dele parte
toda bondade e infelizmente,
toda maldade
e por isso então
a partir de agora
vamos olhar com muita atenção
a nossa alma
e a do nosso irmão;
também nosso humilde
e pobre coração.
II
Depois de lidas
as explicações
querida amiga
desconhecida,
você me acha
muito agressiva
ou não?
Alina Castelo Branco 
(09/06/1976) 



Filhos Rebeldes


(239)
Que turma difícil
que Deus me deu
são muito rebeldes
e violentos;
são revoltados
e traumatizados;
não dão valor
as coisas boas
vivem infelizes
e contrariados
com as pessoas.

O que fazer
pra que meu povo
venha a entender
que não adianta
gritar, chorar
botar à baixo
o mundo imenso
e esmagar
com toda a gente
não resolve, nada gritar
o que resolve, mesmo é amar.
Alina Castelo Branco 
(16/11/1976) 




Súplica


(122)
Ó Senhor
dentro deste mundo
onde cresce o joio,
junto com o trigo,
protege as crianças
dos seus inimigos!
Guarde esses anjos
tão puros e inocentes,
envolva-os com o seu manto
pacientemente,
pois as feras loucas
andam por aí,
devastando tudo,
engolindo anjos
num horror sem fim.
Mas tu, Senhor
com o seu poder,
tudo estás vendo
e analisando
e todas as crianças
tu estás amando.
Sendo assim, Senhor
fico mais tranquila,
e penso nas crianças,
nas coisas erradas,
vem uma esperança
De que não serão
nunca abandonadas.
Para os que maltratam
e ferem as crianças,
tenho pena deles...
Pois nos corações
desses homens maus
só há tempestades.
Nunca há bonança,
nem tão pouco, paz.  
Alina Castelo Branco 
(04/10/1979



domingo, 22 de fevereiro de 2015

Imortalidade (2)


(376)
A imortalidade
se adquire com a alma
e não com o nosso corpo
e nem com a nossa carne
porque remédio aplicar
pra esse corpo durar?

Só com as boas ações
aqui na terra aplicadas
a vida eterna depende
não do congelamento
mas sim da nossa esperança
e do contentamento
de saber que ainda temos
descanso lá no além
e a morte desse corpo
essa matéria destruída
não vai nunca atrapalhar
nem empatar a subida.

É necessário que haja
a lenta decomposição
é preciso que esse corpo
desapareça então
pra se partir de uma vez
o elo que nos liga a terra
é preciso que partamos
para o infinito bem longe
alegres, livres, confiantes
que vamos lá encontrar
a luz grande e brilhante
que irá nos iluminar
que tanta força fizemos
lutamos, choramos, sofremos
pensando em um dia achar.
Alina Castelo Branco 
(06/09/1976) 




Imortalidade


(120)
No mundo intelectual
você conseguir penetrar
no meio de grandes poetas
é como uma estrela pegar.

Lugares ocos, vazios
você nunca vai achar,
para ser substituído,
pois ninguém vai se acabar.

Se pelo menos pudessem
grandes escritores e poetas
descansar, eles soubessem...

O que acontece afinal
é que eles nunca morrem,
o poeta é imortal!...
Alina Castelo Branco 
(29/07/1976)





Céu Vermelho


(118)
Quando o céu fica vermelho
ao se olhar o poente;
é sinal que muita chuva
vai cair e molhar a gente.

Pois a chuva quando cai
molha tudo até demais;
molha até a nossa alma
tira a dor e deixa a paz.

É sempre assim quando cai
a chuva molhando a terra,
toda sujeira se vai...

Fica na alma da gente
uma tristeza infinita,
contida dentro, inconsciente.
Alina Castelo Branco 
(28/07/1976)





Se não houvesse a certeza


(116)
Se não houvesse a certeza
de uma vida além,
de outra forma talvez
com menos sofrimentos
e menos atribulações.

Se não houvesse a certeza
de um Deus superior
que domina os céus,
o mar, a terra
e toda a natureza.

Se não houvesse a certeza
do perdão das nossas faltas
com humildade pedida,
e com arrependimento
dentro da nossa alma.

Se não houvesse a certeza
de uma vida nova lá, longe,
bem longe, do burburinho
dessa civilização,
não valeria a pena
viver, só por viver
num mundo sóbrio e triste
onde há pouca alegria
e muito, muito sofrer.
Alina Castelo Branco 
(23/01/1980)