sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Pretinho do Morro


(198)
Aquele moleque
tão pretinho
lá no morro
escondidinho
da humanidade
correndo descalço
com o vento forte
a roçar-lhe o rosto
aquele moleque
tão pretinho
como o café
feito quentinho
com o riso franco
e os dentes bonitos
e tão brancos
ele é feliz, gente,
pode correr
descalço ou nu
pode gritar
bola jogar
brigar com “b”
ou brigar com “a”
porque o negrinho
esperto e feliz
faz o que quer
e não sabe o que diz;
ele só tem
a noite e o dia
e o amor e o amparo
da Virgem Maria;
não tem dinheiro,
não tem fama
não tem comida
e nem tem cama
mas tem uma coisa
muito importante
no dia a dia
tem liberdade
de correr o morro
de cima a baixo
do jeito que quiser
soltar papagaio
sentir a brisa
e o chão no pé...
II
Será que é feliz
mesmo sem nada
o moleque do morro
que sacode o samba
que dança e canta
com a barriga
às vezes vazia?...
É feliz sim
porque tem alegria!...
Alina Castelo Branco 
(22/09/1976) 




Bom dia Jesus!


(200)
Quando me levanto
e olho o dia
a luz tão clara
e o sol saindo
devagarzinho
iluminando
a rua limpa
a tão deserta
penso na vida
acho-a linda
e muito certa
com tudo de bom
e de mal também
que ela tem
lembro de você
Jesus, amado,
meu Salvador
da sua cruz,
da sua força,
do seu amor
da sua bondade,
da sua dor

II
Lembrando sempre
de tudo isso
do seu martírio
das suas dores
mas também
dos dias bons
e tão felizes
de todas as glórias
que você teve
vejo a minha vida
e a minha cruz
penso em você
ganho coragem
para trabalhar
e assim conduzo
todo o meu dia
com alegria,
sempre a sonhar.
Alina Castelo Branco 
(22/09/1976) 




O Sorriso


(206)
Quando olho alguém
o que gosto de ver
é o seu sorriso,
é o eu me dá prazer.

O riso muito bonito
no rosto de alguém
transmite alegria
a quem não tem.

Não podemos negar
do que é capaz
um rosto bonito;

pode bem transformar
uma guerra em paz
um belo sorriso!...
Alina Castelo Branco 
(17/09/1976)



Primavera


(214)
Vem de mansinho
a primavera
aparecendo e anulando
aquele frio
aquela época
onde as noites
eram gostosas
só para aquelas
que têm vidas
maravilhosas;
a primavera
é a roseira em flor
é onde desabrocha
e nasce o amor
é onde vemos
o sol clarear
iluminar
e colorido dar
fazendo nascer
vida em todos
porque o inverno
faz em nós murchar
o encantamento
e tira o sabor
e a beleza
em muitas coisas
Na natureza
e o seu frio gelado
cortando sempre
e penetrando
dentro da gente
gela a nossa alma
e não nos dá calor
mas a primavera
surge radiosa
como o colorido
e o desabrochar
de uma linda rosa!
Alina Castelo Branco 
(18/07/1976) 





Perturbação


(218)
Coisa pior é um ambiente
todo perturbado
sem compreensão
sem amor
repleto de ódio
e maldade;
as vibrações
bem negativas
que aparecem
nesse ambiente
crescem, crescem
com uma velocidade
inatingível
e se multiplica
cem vezes mais
de uma maneira
inconcebível,
gerando tumulto
e confusão
trazendo males
para o coração.


Se a humanidade
bem soubesse
deixaria a inveja
bem enterrada
num grande buraco;
colocaria uma pedra
pedra enorme
para deixá-la
bem guardada
no fundo da terra
pois da inveja
nasce a maldade
e crueldade
que atrapalham,
tremendamente,
a felicidade.
Alina Castelo Branco 
(10/10/1976) 





Por Pior, A morte, Apaga


(220)
Por pior 
que seja a mágoa 
que temos de uma pessoa
mesmo que ela não tenha
sido uma criatura boa
com a morte tudo se apaga
pois no coração humano
não há lugar para mágoa;
o sofrimento e a dor
de alguém que está sofrendo
e esperando a sua hora
para ver Nosso Senhor
isso já nos conforta
e com  isso perdoamos
para que aquela alma
por outros mundos distantes
possa encontrar seu caminho
melhor que o daqui da terra
onde as coisas ruins imperam
onde há muita tortura
que faz com que a pessoa
não possa ser toda pura
mas confiando no Deus
justo e glorioso
pensamos sempre o melhor
pensamos até na morte
como algo mais gostoso
porque sabendo que além
existe uma nova vida
isenta de tantas dores
quando pensarmos em alguém
que está para morrer
pensemos em muitas flores
para cobrir seu caixão
e pensemos nela com amor
rezemos uma oração.
Alina Castelo Branco 
(27/10/1976) 






terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Não tenha medo


(143)
Não tenha medo de nada
do cão que late lá fora
da onça brava da mata,
do leão que ruge forte
do tigre com os seus dentes,
da cobra que se arrasta.
Não tenha medo de nada
da gente que fala alto
que ameaça gritando
todo tempo, toda hora
que destrói, que enlouquece
que alucina e perturba,
que espalha muito ódio
em vez de espalhar doçura.
Que espalha o seu fel
em vez de espalhar o mel
que vive neste mundo
fazendo sempre tolices
sem abrir seu coração,
para fazer poesias.
Pois o poeta, minha gente,
é o querido de Deus
que fala D’ele, dos anjos
através dos versos seus,
que parte do coração
e invade a alma sua.
E as palavras que saem
são nuas, nuas
sem maldades, nem inveja
sem respeito, sem podridão
porque fazer, versos
qualquer hora
qualquer dia
é apenas, simplesmente
um dom!
Alina Castelo Branco 
(08/11/2001 às 14:30 horas)