sexta-feira, 3 de abril de 2015

Cantinho das Rosas


(945)
Plumagens coloridas
de noite esvoaçando
lingeries lindíssimas
enfeitando as camas;
mulheres pintadas
espalhando amores
e nos seus devaneios
destruindo lares
e plantando dores;
e em cada noite
de sonhos e bebidas
exaustas, maltratadas
com as almas feridas
esmagadas, destruídas
pela vendagem dos corpos
pela hipocrisia da vida
essas mulheres sofridas
marcadas
dilaceradas
exploradas
dia após dia
vivem num lugar
com um nome
tão bonito
destruindo a moral
enlameando o amor
que é grande
e tão profundo
enganando a si mesmas
vivem à parte
essas mulheres
vivem apenas
no seu mundo.
Alina Castelo Branco 
(01/04/1977)




Esperança


(1027)
Dentro de mim
algo espantoso
palpita, grita
esperançoso;
há um raio novo
longe a surgir
e o seu brilho
impetuoso
já dá calor
ao meu sorrir
e essa luz
forte e brilhante
que eu já vejo
longe a brilhar
me iluminando
me animando
me dando chance
para pensar
tem me levado
e conduzido
a um outro mundo
desconhecido
que vem aos poucos
descortinando,
leve, brejeira
batendo mansa
pelo meu rosto
e um cheirinho
de fumo quente,
passa às vezes
pra me mostrar
que nesse mundo
que está se abrindo
estão comigo
toda essa gente
que muito em breve
vão me ajudar.
Como é bonito
dentro do mundo
que nós vivemos
vermos um outro aparecer
e raiando um sol
mais diferente
um mundo cheio
de amor e paz;
paz que irradia
dentro da gente
bem lá por dentro
caminha lento
por todo o corpo
e o calor mudo
e misterioso
que invade a alma
triste e vazia
vai dando embalo
e acalentando
vai dando calma
e nos confortando;
e você, pasma
amedrontada e receosa
vê tudo isso
surgindo aos poucos
e essa esperança
que nos dá vida
e nos dá calor
transforma em nós
toda uma vida
muda os destinos
elimina a dor.
Alina Castelo Branco 
(25/07/1979)




quinta-feira, 2 de abril de 2015

Vivência


(759)
Quem ler meus versos
há de pensar
e meditar
sobre o que digo
constantemente
e friso bem
pra bem firmar
aquela ideia
que vou lançar
e a mensagem
que eu quero dar
e sendo assim
lendo e relendo
o que escrevo
há de perguntar
para si mesmo
por que razão
eu tanto escrevo?

Com muito prazer
responderei
pois a vivência e a experiência
que hoje tenho
dá-me direitos
pra instruir, orientar
e ensinar
os mais sofridos
pois em matéria
de sofrimento
ninguém entende
melhor que eu
que tenho no peito
um coração dorido
e os dias infelizes
muito corridos
de anos e anos
ensinaram-se sempre
que nenhum mal
chega a durar tanto
nem eternamente.
Alina Castelo Branco 
(08/08/1976)



Certo ou Errado?


(761)
Quem é que sabe
o que é certo
e o que é errado;
se às vezes o certo
nunca dá certo
e muitas vezes
aparece errado
nem sempre traz
a felicidade
e o errado que uns dizem
e os livros afirmam
levam a pessoa à uma estrada
às vezes, boa
que na verdade
não está errada
e eu continuo a refletir,
a raciocinar
o que é certo
na nossa vida
se é fazer o que dizem
que é muito certo
e não tirar
proveito algum
ou fazer o que desejo
mesmo para outros
tido como errado
e condenado
pela brilhante sociedade
e ir de encontro
a lei de Deus
mesmo assim
resolve em parte
os problemas meus.

Que o Espírito Santo
desça até a mim
ajude-me sempre
e conduza-me
até a estrada
que leva ao fim
não sei se a certa
ou a errada
qualquer estrada
pois já ando
desesperada!...
Alina Castelo Branco 
(09/08/1976)




segunda-feira, 30 de março de 2015

Nada se perde!


(764)
Só em saber por convicção
que neste mundo
em cima da terra
nada se perde
tudo se transforma
tudo tem valor
já sinto um pouco
de tranquilidade
saber que depois
da minha morte
ainda existirá
uma felicidade.
Só em pensar
que muito depois
da gente morrer
naquele lugar
onde vai ficar
o nosso corpo enfim
com o correr do tempo
sem ninguém querer
vai ajudar a terra
a florescer
e também saber
que não foi em vão
todo o nosso viver
nem foi perdido
todo o seu amor
pois no lugar
onde deixarão
nosso corpo repousar
poderá nascer
uma linda planta
ou um novo ser
isso só nos encanta
e só nos dá prazer.
Alina Castelo Branco 
(09/08/1976)




Festejar Aniversário


(766)
Festejar aniversário
para muitos tem valor
a festa, os presentes
os abraços e beijos
enganam e dão mais cor;
enfeitam esse dia
que é tão diferente
fazem-no sair da rotina
e sentirmo-nos mais gente.

Mesmo as pessoas adultas
ainda tem ilusões
e as ilusões fazem aparte
de todas as nossas ações
pelo menos por um dia
quando no mundo inteiro
muita gente festeja
o dia do aniversário
pelo menos essas pessoas
sentem-se um pouco felizes
e olham a vida nesse dia
com outros lindos matizes.

A velinha para apagar
vem só pra nos alertar
que toda luz se extingue
e a alegria também
quando a festa termina
com ela todo o bem,
toda a felicidade
e se vocês pensarem
como eu sempre pensei
festa de aniversário
para mim, nunca adotei
além de nos transportar
a um mundo diminuto
onde as horas são tão poucas
e faz-se do nada, um tudo
além disso quando cessa
os festejos, a alegria
vem então uma tristeza
e também monotonia.
Alina Castelo Branco 
(11/08/1976)



Por que vem?


(777)
Lá vem a chuva
ela vem chegando
e soem vê-la
eu vou pensando
e me amolando
pois vai começar
tudo outra vez
aquela lama atrapalhando
a roupa da gente
toda sujando
e cada pingo
que vai caindo
vai refrescando
também o calor
e se a gente
ainda não notou
tem a impressão
vendo-a cair
dá pra ligar:
que talvez Jesus
triste conosco
de vez em quando
venha a chorar
e muita dor
venha a guardar.

E quem enxuga
tantas lágrimas
que descem pela face
do bom Jesus
quando se lembra
do seu martírio
e da própria cruz?...
Alina Castelo Branco 
(20/08/1976)