terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Menino Mau


(915)
Menino mau
já bem crescido
não quer ser gente
nem evoluído
não crê em Deus
nem no infinito
vive sempre fora
da realidade
longe de alcançar
um dia no além
a eternidade;
menino mau
já bem crescido
fazendo birra
pra aparecer
a sua raiva
o seu despeito
o seu sadismo
por não conseguir
de todo destruir
alguém que vale
pela fé que tem
e crê nas forças
apenas do bem;
menino mau
o seu castigo
vai ser eterno
dentro, consigo
na sua mente
no próprio ser
pois qualquer um
que age assim
não vai ter nunca
um belo fim.
Alina Castelo Branco 
(18/02/1977) 
(Dedicada ao meu ex-marido) 


Cair e Levantar


(918)
Com sacrifício
tiramos uma pedra
do nosso caminho
e quando vemos
tem outra enorme
à nossa frente
sempre tolhendo
e empatando
o nosso destino;
é sempre assim
a nossa vida
todos os esforços
parecem até
que são perdidos
e a estrada
já escolhida
teremos sempre
que continuar
pois não adianta
querer voltar;
para nós
aquela estrada
está fechada
obstruída
mesmo que antes
fosse por nós
bem construída;
querer voltar
é começar
tudo de novo
que já estava
bem programado
e encaminhado
que tanto luta
já tinha sido
tão dispensada;
só tem um jeito
é ir pra frente
tirando pedras
milhares delas
que muitas vezes
são até belas
mas como pesam
nas nossas vidas
já tão cansadas
e tão doridas!

Quando não temos
mais forças, não aí,
caímos nariz no chão
e aquelas pedras
que são enormes
e nos mete medo
com seus tamanhos
descomunais
para nós já fracos
fracos demais
obrigam a gente
a ficar parado
ficar pra trás;
isso é morrer
deixar cair
deixar ficar
colado ao chão
sem levantar
sem ter mais forças
para lutar.
Alina Castelo Branco 
(18/02/1977)



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Carnaval



(921)

Carnaval, 
bonita festa
festa que mexe
com o coração
pois onde a música
e alegria
tudo é festa
tudo é beleza
é fantasia;
e o colorido
do carnaval
é tão bonito
não tem igual;
Jesus amou
a alegria
vamos curtir
e admirar
no carnaval
as fantasias
que são tão lindas
tão coloridas
com o calor
e a beleza
que tem a vida.

Alina Castelo Branco
(18/02/1977) 




Fim do Carnaval


(923)
I
Carnaval
chegando ao fim
é como tudo
é sempre assim
as ilusões
os devaneios
a esperança
de um mundo novo
mais alegre,
fica distante;
no carnaval
tudo é festa
e encantamento
muita alegria
muito exagero
muita revanche
dos infelizes
e inconstantes;
e nos três dias
de festa e luz
de colorido
os foliões
pensam consigo:
seria bom
que o mundo fosse
sempre assim
muita alegria
muita nudez
seria bom
não, ou talvez?
II
E quando todos
já estão gostando
da liberdade
que ele traz
aí acaba o carnaval
pra muitos, cedo
pra outros, tarde
tarde demais!...
Alina Castelo Branco 
(23/02/1977) 




Mais Uma


(917)
Mais uma filha
que vai casar
e dessa vez
vai ao altar;
pra todos nós
é muito bom
ver uma moça
toda de branco
jovem e linda
lenta entrando
para pedir
bênçãos ao Senhor
pra ser feliz
com o seu amor;
logicamente
vai receber
todas as forças
para cumprir
com a alegria
o seu dever.
Alina Castelo Branco 
(18/02/1977) 
(Dedicado a terceira filha)



Virar Criança

(913)
O que me espera
lentamente indo
para velhice
quando nada mais
puder fazer
quando não puder
mais escrever
quando já estiver
muito cansada
talvez doente
talvez demente
talvez quem sabe
esclerosada;
não sei pra mim
mas para os outros
talvez que seja
até gozado
uma mulher
que no passado
era tão firme
vendia força
e otimismo
sem esquecer
a sua fé
e o dinamismo
tinha às vezes até
muita arrogância,
de repente
vira um brinquedo
nas mãos dos outros
vira criança;
é vendo um velho
virar criança
perder a força
a prepotência
e a arrogância
que me pergunto
a todo instante:
vale a pena
crescermos tanto
amadurecer
a todo instante
para depois
virar criança?...
Alina Castelo Branco
16/02/1977) 





Mensagem de Amor


(947)
Queria falar de MÃE pra você,
não sei se você
quer mesmo saber:
Mãe é um misto
de luz e pureza
coragem, doçura
energia e nobreza;
é força gigante
que vem não sei de onde
e vai aumentando
à proporção que os dias
vão se passando;
o físico frágil
uma alma imensa
um coração enorme
e vasta vivência;
e quando já mais velha
já enfraquecida
você só em vê-la
e tê-la bem perto
fica enriquecida
pois ela foi luz
que guiou seus passos
lhe deu formação
ofereceu seu regaço;
e pra todas as mães
que vivem felizes
ou mesmo infelizes
neste universo
dedico a todas elas
neste dia lindo
meus singelos versos!

Uma saudade terna
um riso tristonho
olhos cheios d’água
um grito medonho
ao lembrarmos aquela
que já está distante
amas pensando bem
ela foi bem grande
e lá no além
vai ser mais gigante;
se você, que agora
olha ao seu redor
mas não vê ninguém
para abraçar
neste grande dia
por Deus, não chore
fique em silêncio
e não vá por isso
perder a alegria
porque lá, longe,
ela, lá, está
através do espaço
e das vibrações
olhando seus filhos
velando por eles
dia após dia
e ouvindo atenta
todos os lamentos
dos seus corações.
Alina Castelo Branco 
(04/04/1977)