domingo, 14 de dezembro de 2014

Falar de Árvore


(333)
Por que logo hoje
de árvore me lembrei?
É tão engraçado
esse tema, amei.

Árvore é vida
ela é como gente,
nasce, vive, sente
e se reproduz
joga a semente
pelo chão imenso
sendo ser vivo
tudo também sente.
Árvore é vida
e tem vida longa
você planta a mesma
e deixa nesse mundo
para os seus netos
e talvez bisnetos
que às vezes nem vê
e nem colhe os frutos;
olhando direito
isso é duro
mas o velho tronco
todo majestoso
sombra prolongando
feliz e contente
talvez não se esqueça
que foi você
que jogou na terra
aquela semente
e jubilosamente
ela floresceu.

Você que não viu
os frutos da árvore
que você plantou
não fique triste
valeu a pena
a boa ação
que praticou.
Você deu vida
a uma semente
que logo nasceu
cresceu, viveu
e o que se faz
aqui no mundo
talvez os homens
venham a esquecer
porém bem longe
tenho certeza
irá receber
graças triplicadas
por tudo de bom
por todas as ações
aqui praticadas.
Alina Castelo Branco 
(31/01/1977) 




Eu vi...Eu vi...


(331)
Vi uma árvore
grande frondosa
parada, sem vida
porque era noite;
talvez quem sabe
estava repousando
de um longo dia
bem movimentado
e angustiante;
estava tão quietinha
sem nem se mexer
pois lhe faltava o sol
faltava o vento
para lhe dar vida
e dar alento
e fazer a árvore
balançar seus galhos
e assim fazer
suas folhas balançar
e assim alegres
poderem vibrar.

Admiro a árvore
forte, presa à terra
firme até demais
com sua raiz
a se alastrar
pelo chão a dentro
a se ramificar
sempre a se alimentar;
vencendo o vento
vencendo o tempo
sem se abalar.
Alina Castelo Branco 
(31/01/1977) 





Depois de 2.000


(314)
Como será depois de 2.000
a humanidade terá mais paz
mais felicidade;
terá mais luz espiritual
mais clareza e força mental?
Terá outra forma ou será a mesma
será tacanha ou mais evoluída
será teimosa ou mais instruída
será menos fera e mais querida?
Será gente com olhos e dentes
ou será bicho com forma diversa
da nossa atual a rastejar e rosnar
como um vil animal?
Será planta bonita frondosa
ou será uma roseira cheia de rosas
será um craveiro com seus lindos cravos
ou um abacateiro ou uma parreira
com seus lindos cachos?
Será um inseto meigo e pequenino
que morre tão logo que se reproduz
como a borboleta muito colorida
toda brejeira e por nós querida?
Será um ser todo humano
que viverá entre nuvens brancas
sempre flutuando; será que um dia
iremos viver mais perto de Deus
a esvoaçar sempre voando?...
Como seremos depois de 2.000?
os que chegarem a traspassar
para o outro lado de 2.000 pra lá
vai encontrar um mundo novo
todo a flutuar e os milhares
de criaturas todas mais puras
a se amar; pois o amor
que falta tanto aqui na terra
do outro lado longe daqui
vai dar pra todos
pra você e pra mim,
isso vai ser a nova era
final de guerra a paz enfim!
Alina Castelo Branco 
(23/01/1977)



Já, Já, Não...


(299)
Não quero ir
mas quando for
vou com saudade;
não quero ir
já, já, agora
não é por nada
pois muita coisa
inda não fiz;
parece até que nem vivi
o suficiente
e se vivi
não aproveitei
dia por dia
hora por hora
para agir e trabalhar
fazer o bem
saber orar.

Estou apenas engatinhando
e ainda querendo
me levantar
me agarrando
aqui, ali
lá, acolá
não era bom
nem agradável
se eu me fosse
já, já, agora
pois como disse
não tenho pressa
adoro a vida
e nem desejo
a minha hora,
principalmente,
olhando bem
e analisando,
conscientemente,
ainda não sou
de todo, gente!...
Alina Castelo Branco 
(10/01/1977)

 

Trem Fantasma


(296)
Trenzinho fantasma
que coisa gostosa
uma fila imensa
pra você entrar
nem é bom falar:
dispara o carro
vamos correr
vamos gritar
na escuridão
dos corredores
longos, vazios
silenciosos
e, devoradores;
lúgubres
misteriosos
frios e horrorosos;
cada segundo
rodado ali
parece até
adeus ao mundo
adeus à vida
e a claridade;
adeus aos sonhos
e a liberdade;
e aquele carro
correndo veloz
fazendo barulho
na escuridão
dá pra lembrar
a nossa vida
quando descemos
ao reles chão
e mergulhamos
inteiramente
na escuridão.
Será que lá
pra onde vamos
existe carros
e corredores
vazios e longos?...

Alina Castelo Branco 
(05/01/1977) 




Calmaria


(293)
Dia calmo
muita paz dentro de mim;
paz no ar
no mundo, enfim;
dia calmo
muita paz dentro de mim
quisera que os dias
fossem sempre assim;
pra mim.
Alina Castelo Branco 
(01/01/1977)

Cara de Pau


(292)
Você acha que o mundo
tem sido mau
e para você
tem sido um cara,
cara de pau?
Ora, vá em frente
não deixe que o mundo
cara de pau
lhe arrebente;
torça o destino
vire às avessas
banque a travessa
faça de conta
que tudo é bom
é uma beleza;
não deixe que o mundo
com o seu sadismo
arrase com você
e o seu otimismo.
Alina Castelo Branco 
(28/12/1976)