terça-feira, 30 de setembro de 2014

Mudanças

(112)


Mudanças são necessárias
na vida da gente:
mudanças de clima,
mudanças de teto;
mudanças de crença,
mudanças de ações;
mudança de almas
e de corações.
Mudar é reviver
virar às avessas
o eu foi ruim.
mudar é ação,
viver diferente
dentro de um mundo
que não é tão bom
mas que é da gente.
Mudar é preciso,
é tão necessário
a todos na vida,
pois em cada mudança
há o que aprender
e com mais tempo
e maior estudo
tentando galgar
posições diferentes
é melhor aproveitar.
Ganhamos vivência
ganhamos altura
e mais experiência.




Alina Castelo Branco
(20/04/1979)




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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

10 Horas

(286)

São 10 horas
que lufa-lufa
desde que o dia
amanheceu;
a noite é pouca
para recobrar
toda energia
que se perdeu;
raia o sol
surge brilhante
clareia tudo,
e assim desponta
e nós, mortais
começamos tudo
tudo de novo
que nos pesa tanto
até demais;
assim é a vida
vai com o sol
quando se põe
e volta cedinho
quando ele surge
trazendo sempre
linda manhã;
são 10 horas
que lufa-lufa
vou parar agora
para escrever
relembrar um pouco
matar as saudades
do tempo de outrora
quando não sabia
o que era sofrer!

Alina Castelo Branco 
(28/12/1976)

Anel de Formatura

(273)

Qual o valor
que tem um anel
de médico
de advogado
de professor;
qual o sabor
que tem o mel
depois que a abelha
já o produziu
e como será
na realidade
que ela o sentiu?



O anel recebido
pela formatura
vale anos de luta
e de amargura;
vale o respeito
e abnegação;
responsabilidade
na dura missão;
vale pelo esforço
e sinceridade
vale um momento
de felicidade!


O anel no dedo
representa tudo:
horas mal dormidas
só pelo estudo;
dias de renúncia
sem se distrair
para então chegar
onde se quer ir;
o que está contido
dentro do anel
é a nossa vida
com o sabor de mel.


Alina Castelo Branco 
(18/12/1976)



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O Retrato

(271)

Vale a pena nessa vida
tirar retrato na mocidade
para deixar, de lembrança
pra posteridade?

Vale a pena
marcar a vida
a sua passagem
com fotografia?

Vale a pena
retrato deixar
para que bisnetos
venham anos amar?

Vale a pena
pela fotografia
lerem nosso passado
nosso dia a dia?

Vale a pena
ser muito lembrada
sempre que o retrato
for sempre tocado?

Vale a pena deixar
seu retrato no mundo
ou melhor seria
adormecer no profundo?

Vale a pena morrer
e seu rosto não deixar
pra que as novas gerações
nada tenham a recordar.

Como  seria bom
se eu tivesse conhecido
todos os meus ancestrais
nem que fosse
por retrato
era bom até demais;
e guardasse com carinho
seus semblantes
suas vidas
suas lutas
e desditas;
suas glórias
suas honras
seus momentos
de vitórias
e também
de alegrias
e pudesse
recordá-los
mesmo sem conhecê-los
através do tempo
e da fotografia
revivendo cada um
no seu longo
dia a dia!


Alina Castelo Branco
(17/12/1976)

Decepção

(238)

Tristeza infinita
num dia triste
não é uma coisa
muito bonita;
de vez em quando
uma decepção
um grande aperto
no coração
uma dor
dentro do peito
por ver na vida
tanto desamor
e desrespeito.


Alina Castelo Branco
(12/11/1976)


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Atmosfera Rosa




(236)

Tive um sonho lindo
todo cor de rosa;
sonho colorido
é um bom sinal
e como eu subia
desbragadamente
uma escada enorme
alta, tão imensa
parecia até
que não tinha fim
mas que de repente
eis que aparecia
bem no alto
acima de mim
algo majestoso
uma atmosfera
toda cor de rosa
com belas imagens
envolvidas nela;
e eu deslumbrada
e bem agarrada
aquela escada
ficava perplexa
e bem perturbada;
o que eu vi
num sonho colorido
lindo de morrer,
nunca, jamais,
irei esquecer.



Alina Castelo Branco
(27/10/1976)

Toró

TORÓ
(234)


Caiu um toró na minha vida
uma chuva forte
um temporal
desceu uma avalanche
de muitas toneladas
que me derrubou
e me arrasou afinal.

Depois de tudo
já obrigada
debaixo de um teto
já protegida
e recuperada;
nesse abrigo
que há sete anos
dentro dele, vivo
para esperar
que esse toró
venha a passar
estou aguardando
pacientemente
estou lutando
com unhas e dentes.

A chuva foi grossa
muito mais grossa
do que eu a via;
quase acabou
com a minha fé
e minha alegria;
aqui estou eu
mais firme que nunca
e a minha fé
que enfraqueceu;
a minha alegria
que tinha sumido
com medo do tempo
que tinha virado
e se enfurecido;
essa fé cresceu
e triplicou
me ajudou a vencer
e nunca mais
nunca mais
alegria faltou.

Alina Castelo Branco
(29/10/1976)

Revolta

REVOLTA
(450)

I
Se você tem mãe, tem tudo;
você é feliz, eu lhe garanto
porque é triste anoitecer
sem ter um beijo
nem um carinho
sem ter o prazer
de ver o rosto
daquela amiga
que dia e noite
zela contente, 
pelos seus filhos.
II
Eu falo assim
por não a ter;
é diferente, é um vazio,
vazio imenso,
que sinto sempre
mas eu confesso
que bem entendo.
III
Às vezes vejo
muitas pessoas
chutando as mães;
fico pensando
como é engraçado
o ser humano!
Mãe só é uma,
o mais se pode
ter à vontade
e  entretanto
essas pessoas
às vezes esquecem
desse detalhe tão importante
e vão em frente
os filhos maus
mordendo mão
e magoando o ente
que lhes deu o pão
e o seus sustentos
para crescerem fortes, 
instruídos e independentes.
IV
Uma vez já feitos
pra vencer na vida,
pra que serve a mãe?
Vamos jogar fora,
ela só atrapalha,
já está velhinha,
pra que serve agora
só pra dar trabalho?
Pra gastar dinheiro?
Pra roubar o tempo?
Pra dizer besteiras?...
V
Só não se recordam
que ela tem no peito
um coração pulsando
que ama, que sofre
que vive chorando
por aquele filho
que é tão perverso,
que é tão ingrato
mas que é seu filho
carne da sua carne,
sangue do seu sangue
vida da sua vida. 
VI
Se eu tivesse mãe,
não teria coragem
para magoá-la;
a pior qualidade
de qualquer pessoa
é ela ser ingrata;
não iria esquecer
que recebi a vida
daquele grande ser
e mesmo um dia
quando já velhinha
doente, irritada
e muito cansada,
saberia entender
que a máquina humana
também se acaba,
mas dentro dela
tem um coração
que ainda bate.
VII
É muito triste
por vê-la sumindo
vendo uma vida, se extinguindo
eu a ampararia
e a cobriria
com o meu carinho,
aquela amiga
que pra mim foi tudo
que tanto me amou
para que eu pudesse
ser mãe um dia
e ter dos meus filhos
muito carinho,
muita ternura
e muito amor!

Alina Castelo Branco 
(01/06/1976)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Canta Alto!

(222)

Canta tão alto
o bentevi
toda manhã
logo cedinho
acorda a todos
que estão dormindo
e põe-se depois
bem quietinho
na árvore grande
que fica em frente
aonde vivo
aonde idealizo
e concretizo
meus pensamentos
e pela família
parentes e amigos
procuro rezar
em todos os momentos.



Alina Castelo Branco
(28/10/1976)

Ah, Se Eu Entendesse...

AH, SE EU ENTENDESSE...
(136)


Como entendo hoje,
se eu entendesse ontem,
das coisas de Deus,
das suas leis,
das suas misericórdias,
há muito tempo
que teria feito
o meu pedido de desculpas,
pois Deus é bom,
grande , majestoso,
e eu, sou nada
dentro de uma casca
fraca, emprestada,
mas ainda assim
querendo crescer
pra chegar a ELE
e agradecer.


Alina Castelo Branco
(27/11/1979)

Jesus

(134)

Se no meu caminho
você não tivesse,
se eu não tivesse
no caminho seu;
se você não fosse
meu grande pai
eu não fosse
sua humilde filha,
o que seria de mim
meu pai querido,
num mundo louco
e tão contraditório
onde não se sabe
mais o que fazer,
onde o certo e o errado
andam de mãos dadas
e se você é certo,
sofre muito mais
onde vemos coisas
que nos arrepia
e faz tanto mal.

Mas como você
é filho do mesmo pai
e portanto é meu irmão
que ajuda, que protege
e nas horas mais difíceis
enxuga as nossas lágrimas
com tanta suavidade
que a gente nem percebe
mas fica aliviada.

O que seria de mim
se não o conhecesse
tão perto e há anos
recebendo sempre, sempre,
através do seu silêncio
tranquilo e confortador
o seu passe invisível
que retira tanta dor?...


Alina Castelo Branco 
(Setembro de 2001 às 7:10 horas).

Barreira

(119)



Quando releio os versos
de poetisas famosas,
tenho até vergonha
de todas as minhas trovas.


É tão fácil pra gente
que só está começando;
entrar no mundo dos versos
é bom se ir preparando.


Mas o pior dessa transa
é a barreira constante
é o desmanchar de uma trança.


Porque pro poeta novo
vencer toda essa barreira
é algo maravilhoso!



Alina Castelo Branco
(29/07/1976)

Bons Amigos

(100)


De repente
mil estradas
mil caminhos
que abertura!...

De repente
nova luz
grande, imensa
clareando
a solidão,
alertando meus sentidos,
conduzindo-me
os horizontes
tão diversos
não imaginados
até irrefletidos...

De repente
coisa estranha
acontece comigo
neste mundo
cheios de estradas
encontro algo:
bons amigos.




Alina Castelo Branco
(31/01/1980)



sábado, 20 de setembro de 2014

Se eu fosse só

SE EU FOSSE SÓ
(172)

                                                                     
Se eu fosse só 
que seria de mim 
sem essa luta constante 
mas que me dá sempre forças
para caminhar em frente
porque tenho cinco filhos 
cinco filhos, é muita gente 
para olhar, para zelar, 
para amar, para ajudar, 
para pensar sempre neles 
com suas ramas floridas 
já seguindo novos rumos 
com as crianças chegando 
e já vindo evoluídos 
e encontrando um mundo 
todo mudado, curtido, 
ceifado por tantos ventos 
e tantos temporais 
que levam as almas da gente 
que matam até as serpentes 
que corrói as nossas mentes 
um mundo tão complicado 
e com tantas diferenças, 
mas se eu fosse só
sem essa grande família
eu não seria feliz,
não teria objetivos,
pois pra viver neste mundo
tem que se ter um motivo
e os netos, sangue meu
que já se alastrou,
já encheu outros espaços 
e se espalhou pela terra 
e um dia certamente 
transformar-se-á em saudade 
esse sangue 
essa carne 
que doei de mão beijada 
com muito amor e carinho 
vai ficar perpetuado 
por esta terra bendita 
e também abençoada. 
Se eu fosse só 
E não tivesse família 
E não tivesse ninguém 
Eu não seria feliz 
Eu não seria alguém. 




Alina Castelo Branco 
(17/12/1985)